As investigações da Operação Parasitas, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), apontam que parte das entidades envolvidas no esquema de descontos irregulares contra aposentados e pensionistas do Governo do Distrito Federal (GDF) teria sido criada com um único propósito: viabilizar fraudes em contas bancárias de servidores inativos.
O novo desdobramento da investigação revelou que pelo menos seis associações são suspeitas de atuar de forma coordenada para promover cobranças não autorizadas por meio de débitos automáticos realizados nas contas das vítimas no Banco de Brasília (BRB). O prejuízo estimado já ultrapassa R$ 5 milhões e alcança mais de 3,5 mil beneficiários.
Segundo a PCDF, a principal entidade investigada é o Centro de Assistência e Integração dos Servidores Públicos (Cassisp), criado em 2024. Os investigadores sustentam que a associação não possuía atuação efetiva compatível com os descontos realizados e teria sido estruturada para servir como instrumento da fraude. Após iniciar suas atividades em Brasília, a entidade transferiu sua sede para outro estado.
Além da Cassisp, outras cinco associações também passaram a ser alvo da investigação: SBSP (Sociedade Beneficente dos Servidores Públicos do GDF), Aspjub (Associação dos Servidores Públicos, Pensionistas e Aposentados do GDF), Cassispub (Centro de Assistência e Integração dos Servidores Públicos do GDF), Mão Amiga e Cobjud (Associação Núcleo de Proteção e Crédito aos Servidores Públicos).
De acordo com o delegado Henry Galdino, responsável pelas investigações, o esquema reproduz um modelo semelhante ao identificado em fraudes contra beneficiários do INSS em diversas regiões do país. A estratégia consistia em utilizar associações para justificar cobranças mensais de pequenos valores, dificultando a percepção imediata das vítimas.
Autorizações forjadas
As apurações apontam que representantes das entidades entravam em contato com aposentados oferecendo serviços e benefícios. Mesmo diante da negativa dos servidores, as associações apresentavam posteriormente documentos e transcrições que simulavam autorizações para a realização dos descontos.
Em vez de fornecer os áudios originais das ligações, os investigados encaminhavam ao banco transcrições consideradas fraudulentas pela polícia. Com isso, conseguiam cadastrar débitos automáticos que variavam, em média, entre R$ 30 e R$ 40 mensais por beneficiário.
Para os investigadores, o esquema dependia da multiplicação do número de vítimas para gerar lucro contínuo, funcionando por meio de cobranças de baixo valor que passavam despercebidas por longos períodos.
Servidores do BRB sob investigação
Outro ponto que ganhou destaque com o avanço das investigações é a participação de servidores do BRB responsáveis pela área de contratos de débito automático. Três funcionários foram afastados das funções por determinação judicial.
A suspeita é que tenha havido falha na verificação das autorizações apresentadas pelas associações ou até mesmo participação direta de agentes responsáveis por validar os cadastros dos descontos.
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) questiona a facilidade com que entidades recém-criadas conseguiram autorização para promover cobranças em massa apenas com o envio de listas contendo nomes de aposentados e pensionistas.
Em nota, o BRB informou que colaborou com as investigações e afirmou que a apuração teve origem em uma denúncia realizada pelo próprio banco após a identificação de indícios de irregularidades internas.
Bloqueio de bens e suspensão dos descontos
Na semana passada, a Justiça determinou a suspensão dos descontos vinculados à Cassisp e autorizou o bloqueio de bens dos investigados, incluindo ativos financeiros e criptomoedas.
O Governo do Distrito Federal também anunciou medidas para identificar outras possíveis irregularidades na folha de pagamento dos aposentados. Entre as ações estão a contratação de uma auditoria especializada e a abertura de processos administrativos para apurar responsabilidades e garantir o ressarcimento dos valores descontados indevidamente.
Com o aprofundamento das investigações, a Polícia Civil trabalha agora para identificar a extensão da rede de associações envolvidas e verificar se o modelo foi utilizado em outras operações semelhantes dentro da administração pública do Distrito Federal.























