A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal aprovou nesta terça-feira (26) a convocação do presidente do Banco de Brasília, Nelson Antônio de Souza, para prestar esclarecimentos sobre operações financeiras realizadas entre o banco público do Distrito Federal e o Banco Master. O depoimento está marcado para o próximo dia 2 de junho e deve ocorrer no âmbito de um grupo de trabalho criado para acompanhar os desdobramentos financeiros e institucionais do caso.
A decisão elevou a pressão política sobre a atual gestão do BRB em meio ao avanço das investigações envolvendo operações bilionárias consideradas de alto risco e suspeitas de irregularidades na aquisição de carteiras de crédito.
Renan Calheiros transforma convite em convocação
Inicialmente, a comissão havia aprovado apenas um convite ao presidente do BRB, modalidade que não obriga o comparecimento. No entanto, o presidente da CAE, Renan Calheiros, decidiu converter o pedido em convocação após Nelson Antônio de Souza informar que só compareceria ao Senado depois da divulgação do balanço financeiro de 2025 do banco.
Segundo Calheiros, o BRB não publica balanços desde janeiro, o que poderia inviabilizar o depoimento por prazo indefinido. “Nessa lógica, ele não vem nunca depor na comissão”, afirmou o senador durante a sessão.
A convocação obriga o comparecimento do dirigente e amplia o peso político das investigações conduzidas pelo Senado.
Damares Alves cobra transparência
O requerimento para ouvir o presidente do BRB foi apresentado pela senadora Damares Alves. O foco da comissão é analisar questões relacionadas à governança corporativa, mecanismos de controle interno, gestão de riscos e transparência das operações realizadas entre o BRB e o Banco Master.
Os parlamentares pretendem esclarecer:
- os impactos financeiros das operações entre as instituições;
- os critérios utilizados na compra de ativos e carteiras de crédito;
- a atuação dos órgãos de supervisão;
- e as medidas adotadas pela atual diretoria do BRB para mitigar riscos e preservar a estabilidade financeira do banco público.
Tentativa de compra do Master foi barrada
O caso ganhou maior repercussão após a tentativa do BRB de adquirir o Banco Master, em setembro de 2025. A operação acabou sendo vetada pelo Banco Central do Brasil, que identificou preocupações regulatórias e riscos financeiros relevantes.
Dois meses depois, o Banco Master sofreu intervenção e entrou em processo de liquidação extrajudicial, aprofundando a crise e ampliando o escrutínio sobre as operações realizadas anteriormente com o BRB.
O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador da instituição privada, passou a ser alvo de diversas investigações relacionadas a supostas fraudes financeiras e movimentações consideradas suspeitas pelos órgãos de controle.
Operação Compliance Zero intensifica crise
As suspeitas envolvendo o caso também são investigadas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário relacionado à negociação de carteiras de crédito supostamente fraudulentas.
Recentemente, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi transferido para uma sala de Estado-Maior enquanto negocia um acordo de delação premiada. Ele é acusado de receber vantagens indevidas em troca da aquisição de aproximadamente R$ 12,2 bilhões em ativos ligados ao Banco Master.
A expectativa no Senado é que o depoimento de Nelson Antônio de Souza ajude a esclarecer o papel da atual gestão do BRB diante das investigações e os impactos da crise sobre a saúde financeira do banco público do Distrito Federal.




















