Falta de dados sobre servidores expõe fragilidades na gestão da Saúde do DF

Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde DF

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Uma audiência pública realizada nesta quinta-feira (6), na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), expôs falhas no planejamento da Secretaria de Saúde (SES-DF) diante da falta de informações detalhadas sobre o déficit de servidores e a carência de especialistas na rede pública. 

A discussão foi marcada por críticas de parlamentares e representantes do controle social à ausência de dados consolidados sobre vacâncias, distribuição de profissionais e necessidades de cada carreira. Segundo representantes da SES-DF, foram registradas 125 vacâncias em 2026, mas a pasta admitiu não dispor, no momento, de um levantamento detalhado por carreira. 

Presidente da Comissão de Saúde da CLDF, a deputada Dayse Amarilio (PSB) classificou o número como insuficiente para representar a realidade enfrentada nas unidades. Para ela, a falta de informações compromete a elaboração de políticas para recomposição do quadro e dificulta o planejamento da rede, especialmente diante das restrições orçamentárias. 

Outro ponto de preocupação é a falta de concursos para determinadas carreiras de especialistas. Segundo a parlamentar, algumas áreas estão há mais de dez anos sem novos certames. Ela também questionou previsões anteriores de contratação de mais de 3 mil profissionais sem a existência de concursos vigentes que permitissem as nomeações. 

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A audiência também revelou problemas na área de saúde mental. Atualmente, o DF possui 18 Centros de Atenção Psicossocial (Caps), enquanto estimativas apresentadas durante a discussão apontam uma necessidade de aproximadamente 74 unidades. Em Planaltina, por exemplo, foi relatado que uma unidade funciona com apenas um médico e uma enfermeira, sem equipe completa de psicólogos e assistentes sociais. 

Na estrutura logística da SES-DF, também foram relatadas dificuldades. A Subsecretaria de Logística em Saúde enfrenta problemas com equipamentos, incluindo empilhadeiras que estariam quebradas há cerca de dois anos. A situação teria levado farmacêuticos a realizar carregamento manual de materiais. A própria direção da secretaria reconheceu que as condições estão longe do ideal. 

Apesar das deficiências apontadas, o secretário de Saúde, Juracy Cavalcante Lacerda Júnior, apresentou resultados positivos da gestão. Entre os números destacados estão as 55.320 cirurgias realizadas em 2025, crescimento de 33,3%, além da redução das filas para exames de ressonância magnética e avanços no atendimento oncológico. 

O secretário também citou resultados da Rede Inteligente de Saúde (RIS), que, segundo a pasta, teria proporcionado uma economia de R$ 30 milhões em apenas um mês por meio da redução do tempo de permanência de pacientes em leitos de UTI. 

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Para representantes do controle social, entretanto, os indicadores positivos não eliminam a necessidade de ampliar a transparência e fortalecer o diálogo com quem acompanha diariamente os problemas da rede. 

O presidente do Conselho de Saúde do DF, Domingos de Brito Filho, criticou a participação limitada do controle social na formulação das políticas públicas. Segundo ele, os conselhos acabam sendo acionados principalmente para cumprir exigências burocráticas, sem participação efetiva nas decisões. 

O promotor Marcelo Barenco, do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), destacou a importância das audiências públicas como instrumento de fiscalização e diálogo. Para ele, a participação de diferentes setores pode ajudar a identificar problemas que nem sempre são percebidos internamente pela administração. 

A audiência deixou evidente um desafio para a gestão da saúde no DF: conciliar os avanços apresentados pela secretaria com a necessidade de transparência sobre o déficit de profissionais, a estrutura das unidades e as demandas que permanecem sem resposta. Sem dados completos e atualizados, parlamentares e órgãos de controle avaliam que o planejamento da rede fica comprometido.

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