Dinheiro Público

Enquanto Hospital de Câncer pede R$ 20 milhões, governo libera R$ 70 milhões para roda-gigante e gera revolta

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A inauguração da nova ala de oncologia clínica do Hospital de Câncer de Mato Grosso foi marcada por críticas à forma como os recursos públicos vêm sendo priorizados no Estado. Durante o evento, a deputada federal Coronel Fernanda afirmou que há uma evidente disparidade entre a rapidez com que grandes projetos recebem investimentos e a dificuldade enfrentada por instituições de saúde para ampliar o atendimento à população.

Segundo a parlamentar, enquanto empreendimentos considerados de lazer e projetos de grande porte recebem aportes milionários sem demora, o Hospital de Câncer de Mato Grosso ainda busca aproximadamente R$ 20 milhões para construir 40 novos leitos destinados ao atendimento de pacientes oncológicos.

“Roda-gigante de R$ 70 milhões não esperou para ser comprada. Parque bilionário também não esperou. Mas o Hospital do Câncer precisa de R$ 20 milhões para construir 40 leitos para atender o povo de Mato Grosso. Não dá para admitir”, declarou.

A fala reacendeu o debate sobre as prioridades da administração pública e levantou questionamentos sobre a destinação de recursos em um estado que ainda enfrenta desafios na área da saúde. Para críticos, investimentos em obras de impacto e projetos voltados ao entretenimento não podem se sobrepor às necessidades básicas da população, especialmente quando pacientes aguardam exames, diagnósticos e tratamento especializado.

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Coronel Fernanda lembrou que já destinou R$ 3 milhões em emendas parlamentares para a compra de equipamentos para a instituição e afirmou que a burocracia e a lentidão na liberação de recursos podem custar vidas.

“Quem está doente não espera. O câncer tem pressa. Às vezes as pessoas disputam vaga na fila da vida, enquanto aqui existem profissionais e voluntários que lutam para salvar vidas todos os dias”, disse.

A deputada relatou ainda que passou a conhecer mais de perto a realidade enfrentada pelos pacientes com câncer após acompanhar a luta da própria irmã contra a doença, experiência que, segundo ela, reforçou a necessidade de acelerar os investimentos na área.

Para a parlamentar, o atendimento prestado pelo Hospital de Câncer vai além do paciente e representa esperança para milhares de famílias mato-grossenses. “Não é apenas uma vida que é salva. É uma família inteira. O Estado precisa estar presente em todos os momentos”, afirmou.

As declarações também ampliam a pressão sobre o poder público em relação às prioridades orçamentárias. Em meio a investimentos bilionários em obras e projetos considerados não essenciais por parte da população, cresce a cobrança para que a saúde seja colocada no centro das decisões governamentais, principalmente diante da demanda crescente por tratamento oncológico em Mato Grosso.

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